Tiroteio em torneio de videogame na Flórida deixa vários mortos

Várias pessoas foram mortas em um tiroteio maciço durante um torneio de vídeo game em Jacksonville (nordeste da Flórida, nos Estados Unidos), reportou a Polícia local neste domingo (26), acrescentando que o atirador – um homem branco, ainda não identificado – agiu sozinho e morreu no local. “Vários mortos no local, muitos transportados”, tuitou o gabinete do xerife de Jacksonville, logo após o registro dos disparos.

“Afastem-se da área. A área não está segura neste momento. Afastem-se”, reforçou. O jornal Miami Herald noticiou que o tiroteio aconteceu durante o torneio de videogame Madden 19 e registrou quatro mortos e 11 feridos. Madden é um videogame multijogador muito popular, baseado na Liga Nacional de Futebol Americano (NFL).

De acordo com o LA Times, citando um jogador identificado como Steven “Steveyj” Javaruski, o atirador seria um jogador que estava competindo no torneio e perdeu. O único suspeito de autoria do massacre morreu no local. “Não temos outros suspeitos pendentes neste momento”, disse o xerife Mike Williams durante coletiva de imprensa. “Só temos um suspeito neste caso. Ele morreu no local”.

“É um homem branco e ainda estamos trabalhando para confirmar sua identidade”, acrescentou. Mais cedo, a polícia havia informado que não estava claro se outro atirador teria participado do ataque e que estava fazendo buscas no complexo comercial e de entretenimento The Landing, onde o torneio – uma etapa classificatória para as finais em Las Vegas com prêmio de US$ 25 mil – era disputado.

A Polícia exortou às pessoas escondidas em locais fechados do complexo a permanecerem abrigadas e ligarem para 911, o serviço de emergência nos Estados Unidos, para informar sobre sua localização no GLHF Game Bar.

Chocado e entristecido

Em um vídeo perturbador, aparentemente captado como parte de uma transmissão em streaming do site Twitch, vários disparos de arma de fogo podem ser ouvidos ao fundo, antes de a conexão cair. O site Twitch retirou o vídeo, mas ele permanecia disponível nas redes sociais.

Uma das equipes que participavam do torneio, a CompLexity Gaming, informou que seu jogador, Young Drini, foi ferido de raspão em uma das mãos. “Obviamente estamos chocados e entristecidos com os eventos desta tarde. Nosso jogador, Drini, foi atingido no polegar, mas ele ficará bem. Ele conseguiu escapar e correr até uma academia de ginástica próxima”, disse do diretor da equipe, Jason Lake, à AFP. “Nunca mais vou dar nada como certo. A vida pode ser interrompida em um segundo”, tuitou o jogador.

Vários usuários de redes sociais, inclusive uma que se apresentou como sua mãe, informaram que o proeminente ‘gamer’ profissional conhecido como “oLARRY2K” tinha sido baleado no peito. “Tenho sorte por estar vivo, me sinto enjoado e ainda estou tremendo”, escreveu @SirusTheVirus, que se identifica como um jogador profissional de Madden. “Não posso acreditar que uma bala atingiu a parede ao meu lado… Ver corpos no chão… É um pesadelo total”. “Fui levado ao hospital”, escreveu outro jogador, @DubDotDUBBY. “Uma bala passou raspando na minha cabeça. Me sinto bem, só tenho um arranhão na cabeça. Traumatizado e devastado”.

Epidemia nacional

Este é o episódio mais recente de uma série de atos de violência armada registrados nos Estados Unidos, onde o porte de armas é constantemente discutido entre quem pede um controle maior de sua venda e quem defende seu direito constitucional de ter acesso a elas.

Nos últimos anos, a Flórida tem sido alvo de uma série de ataques a tiros. Em 12 de junho de 2016, 49 pessoas foram mortas em uma boate gay em Orlando, enquanto no começo deste ano 17 morreram em um massacre na escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, em 14 de fevereiro deste ano.O ataque a tiros na escola de Parkland, ao norte de Miami, renovou as discussões em todo o país sobre a necessidade de um maior controle do acesso às armas no país.

David Hogg, um dos sobreviventes de Parkland que lidera agora um movimento nacional contra as armas, participava de um protesto em frente à sede da fabricante de armas de fogo Smith and Wesson em Springfield, Massachusetts, quando soube do massacre.

“Saberemos que não haverá uma mudança até que exijamos em novembro e depois”, escreveu Hogg, de 18 anos, pedindo participação nas eleições de novembro para contrabalançar os conservadores que apoiam a poderosa Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês).

“Mais uma vez, meu coração dói e cada parte de mim sente raiva. Nós não podemos aceitar isto como nossa realidade”, tuitou Delaney Tarr, outra sobrevivente de Parkland e uma das organizadoras do movimento Marcha pelas nossas Vidas, liderada por estudantes, em março.”A violência armada é uma epidemia nacional”, escreveu. O governador da Flórida, Rick Scott, confirmou ter oferecido o apoio do estado após o tiroteio. O senador republicano pela Flórida Marco Rubio disse que o FBI e o Birô de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos estavam investigando o tiroteio deste domingo.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, confirmou que o presidente Donald Trump tinha sido informado sobre o incidente. “Nós estamos monitorando a situação”, afirmou.

Fonte:AFP

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